12 de fev. de 2023

Não sei mais há quantos dias

Hoje fomos até Limeira buscar a ração do Sacola. Como quisemos passar em um supermercado novo, precisamos cruzar a cidade para chegar até a Cobasi.

No final da Avenida da Saudade, onde se inicia a Rua Santa Cruz, duas mulheres no chão tentavam socorrer um senhor. Paramos para prestar socorro e entre ligar para os bombeiros, ligar para o SAMU e o socorro chegar foram quase 15 minutos. Uma demora que me fez preocupada e irritada, se o senhor estivesse em estado mais grave, o que seria? Foi essa frustração e a adrenalina da preocupação e ocupação em socorrer que me impediram de cair no choro ali, naquela esquina, quando aquele seu amigo, pai, que sempre frequentava o bar, desceu da direção da ambulância e, em meio ao seu trabalho tão difícil, se mostrou genuinamente tão feliz quando viu Marcelo e eu ali.

E antes de ir embora, ele olhou pra mim e disse "Que bom ver você! Você está bem?". Ah, pai, eu acho que até ali eu estava, mas essa breve pergunta, três meras palavras acompanhadas de um ponto de interrogação, pesaram sobre mim de um modo para o qual não estava preparada.

Eu me mudei de Limeira justamente para fugir desses embates com a realidade.  Encontrar pessoas que também sabem que você não está mais aqui e visitar ou passar por lugates onde você deveria estar são fatos que me pegam pelos pés e me jogam no chão. Acho que nunca vou estar preparada para lidar com isso.

E todo um vazio se refez. Toda uma saudade sem cura. Todo um espaço impossível de ser preenchido. Hoje eu queria qualquer uma das nossas interações, pai, por menor que fosse. Não precisava sequer ser um café com bolo naquela mesa de cadeiras marrons. Um olhar, um sorriso, uma reclamação, um comentário sobre a novela, literalmente qualquer coisa que fosse, hoje eu queria muito ter de você.

Te amo, pai. Estou com saudade (não sei mais há quantos dias).


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