Todos os dias enquanto fico em pé ao lado da sua cama, as inspirações e expirações marcam o compasso do meu próprio respirar. Nas vezes em que desafinam, o ar se prende em meus pulmões, quando percebo, ele sai todo, e me falta.
As conspirações que fazia comigo mesma, articulando estratégias para tirar-lhe um sorriso mudo foram substituídas pelo anseio de ver seus olhos abertos. Procuro por eles o tempo todo, por todos aqueles quinze minutos que tenho diariamente em sua companhia.
Disse que o amava esses 57 dias talvez mais que por todos os nossos 35 anos juntos nessa vida. E ele me respondeu várias vezes: balbucios por entre um tubo, e depois da traqueostomia, ainda vários "te amo" sem som. Eu morro de saudade de ouvir sua voz, de ver seus olhos, do seu balançar de ombros indiferente e teimoso, eu vejo você todos-os-dias-por-quinze-minutos. Quanta saudade eu sinto de você.
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