Observar os hábitos comportamentais dos meus gatos paraguaios é algo que geralmente me estressa e ocasionalmente me emociona.
Pois bem, para quem não sabe, eu tenho um Sacola e tenho também uma Happy. Que não são gatos. Não, não são. Eles são cachorros. Cachorros com manias de gatos e, por isso, os apelidei gentilmente de gatos paraguaios. Também os apelidei de várias outras formas, algumas não muito ortodoxas, mas não cheguei ao ponto de chamá-los de gatos argentinos, pois aí sim estaria caracterizada a ofensa.
Meu ponto ao dizer estas coisas é contar que de alguma forma obscura, cuja compreensão meu intelecto não alcança, os gatos desenvolveram duas características muito, muito humanas: o fazer birra e o ser egoísta.
É fantástico, é terrível, é medonho! Mas não minto quando digo que o Sacola é perspicaz a ponto de calcular o momento em que Happy decidirá vir para a sala, para sentar-se no sofá ao meu lado, e lançar-se segundos a frente da guria, se jogando trôpego e gordo sobre o estofado, esticando pés e mãos (não falo patas, ok?) para certificar-se que sua irmã não possuirá qualquer possibilidade de ocupar um espaço ali.
A desforra para a Happy acaba sempre sendo a escolha de um brinquedo, o qual passa a dominar completamente, exibindo-o para o Sacola até que este comece a chorar baixinho por querer o que, no momento, é dela.
Alguém ceder nestas disputas de poder-doméstico-animal é raro. A coisa normalmente termina em gritos e arranhões. E eu, depois de restabelecer a ordem rompendo o caos, acabo por ir rir no banheiro, numa tentativa vã de não perder minha – quase inexistente – autoridade.
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