Eu tenho o meu modo de acreditar em Deus, e Ele parece ter o seu modo de acreditar na minha crença. Parece que isso nos tem servido bem.
Quinta-feira foi de longe o pior dia da minha vida, achei bem, bem fundo mesmo que não levaria o meu pai de volta pra casa daquele hospital. E eu pedi, a quem podia e não podia me atender. Briguei mesmo com quem não devia, com quem sequer merecia. E senti uma vontade assim gigante de chorar baixinho, no que sozinha, chorei.
Talvez você que perdeu ou seu, ou esteve a beira disso vá entender o que estou dizendo. Talvez você que sequer consegue pensar neste dia, também vá.
O meu mundo diminui. Ficou menor que eu mesma sou. É muita pequenez pra tanto desespero.
E hoje é Dia dos Pais. No meio disso tudo, eu não consegui lhe comprar um presente. Mas ele me deu o maior. Recuperou-se em tempo recorde, de forma absurda, num piscar de olhos tal qual o que lhe fez adoecer.
Tendo isso em conta, passar parte da tarde ao seu lado, assistindo a Corinthians x Flamengo, times para os quais nenhum de nós torcemos, foi como na infância abrir um daqueles pacotes gigantescos que ele me trazia no aniversário ou no Natal. Foi essencial pra minha sanidade mental e esquecimento do meu esgotamento físico a gargalhada compartilhada ao final do diálogo que se iniciou no meu desabafo:
"Larguei o futebol, pai. Deixei o SPFC."
No que ele maroto e cheio de esperanças me devolveu dizendo:
"E agora? Você vai enfim virar santista?"
"Não pai, eu não vou lhe dar esse gosto de saber mais uma vez que você está sempre certo, agora talvez eu passe a torcer pro Avaí."
Obrigada por ter ficado, pai. Se não for pedir muito (você já me deu tanto nesta vida), faça o impossível para ficar ainda mais e mais e mais. A gente ainda tem muito limão pra colher do pé na minha casa nova. E, além do mais, eu te preciso - sempre.
2 comentários:
legal... me fez chorar!
tchau
vc tem o dom de me fazer chorar... talvez porque saiba expressar o que sinto...
Postar um comentário