20 de jul. de 2010

De mala e cuia

Vou mudar de casa. Ou melhor, vou mudar de casa, outra vez. Percebam que já dei toda a ênfase necessária à notícia porque tenho consciência plena de que meus caros amigos a dariam mentalmente.

Sim, eu mudo bastante. Isso aliás vem parecendo uma praga, do tipo que se classifica na categoria "pragas de madrinha" (peça para alguém de idade explicar, porque nem eu mesma entendo o que esse termo quer dizer, só sei que representa algo ruim, ruim mesmo).
Como eu ia dizendo, eu mudo de casa demais. Desde que saí do ninho confortável da casa de mamis e papis, por onde vivi longossss dezenove anos, já conto cinco arrumações e desarrumações de malas e caixas. Agora, estou caminhando para o sexto caos.

Porque mudar de casa é um caos, concordam? Você guarda tudo para logo em seguida desguardar. Você precisa enfrentar a poeira, alcançar os lugares mais altos e escondidos, você é obrigado a mexer no que não quer e, aliás, no que nem sabia que tinha.

Mas de longe o que mais me traumatiza nas mudanças é o fato de eu ser coagida a enfrentar a minha desorganização. A minha falta de vergonha na cara, que normalmente escondo sob os tapetes, vem a tona e vou ficando assim pequena, pequena, pequena moralmente falando. Como se a minha pequenez física já não fosse suficiente.

A minha ficha ainda não caiu, mas minhas entranhas já pressentem o que vem por aí. Um calafrio me percorre a espinha e me faz querer gritar. Não grito, claro. Não estou louca ainda.

O que me consola - se é que algo me consola - é que desta vez, pela primeira vez, mudarei com tempo. Posso organizar tudo com calma, ou sem calma, mas posso ao menos organizar uma saída e uma chegada sem que as coisas se embolem de um jeito digno de dar vontade de tocar fogo em tudo e sair correndo, sem olhar pra trás.

Minha única preocupação no momento é lidar com a culpa mental de gastar trocentos pilas em mato, já que teremos que colocar grama numa área do quintal a fim de evitar que nossos amados e monstruosos cachorros se empenhem na tarefa de cavar um túnel do pomar até o Japão e, nos intervalos, atulharem nosso novo lar doce lar de terra.

Então, se você, meu querido, amado e idolatrado leitor, quiser colaborar com a minha existência medíocre de aspirante a nômade, você pode tranquilamente entrar em contato e pegar meus dados bancários para contribuir com a aquisição de grama para o nosso quintal. Depois te faço uma jantinha, prometo.

Nenhum comentário: