5 de jan. de 2010

E, em 2010, o Universo continua conspirando a meu favor - Not!

Estava com uma baita vontade de comer esfiha aberta.
Aham, aquele chinelão, aquela massa molengona que fica dançando pra lá e pra cá na sua mão. Porque sim, eu estava com vontade de comer esfiha aberta com as mãos! Talheres são para os fracos, óbvio.



Já tinha todo um plano mental para ligar no Mr. Titas e pedir minhas belezinhas engoduradas esta noite, minhas duas esfihinhas de queijo, uma queridinha de carne e uma delicinha de chocolate ao leite. Não, não queria Habib’s. Eu queria mesmo era queijo, não vários trocinhos de ricota espalhados no meu objeto de desejo. Eu queria sim a mussarela gordurosa, escorrendo óleo, melecando todo o guardanapo.


Mas marido atravessou o samba e avisou que encontrou, por acaso, um tal de Rei da Esfiha. Reformulei o plano, afinal, Rei pode ser melhor do que Mister. Pode? Pode!
Mas não foi.



Eu pretendia jantar minhas esfihas abertas. Por sacanagem do destino, as almocei.


Meu plano deu errado, deu errado! Todo errado – e não “só porque eu quero alguém que fique vinte e quatro horas do meu lado” Caetano, te mando um beijo.


Entrando no “King” – vazio, às moscas – minha boca já estava salivando. Eis que surge um gordinho de uns 13 anos, que sai da sua aconchegante cadeira da Skol diante de uma LCD 32”, nos olha entediado e diz um “E aí?”.


Como assim “E aí?”... O que aconteceu com o “Pois não”, com o “O que desejam?”?


O gordinho parecia puto por interrompermos o seu Jornal Hoje. Desculpa aí, mermão. Mals!


“E aí que eu quero isso, isso e isso, e você marido?”. Marido pediu aquilo, aquilo e aquilo.


O gordinho perguntou se era tudo pra comer na hora ou pra levar “Estas x,y, z pra comer agora, aquelas a,b,c pra levar”.


“E pra beber?”
“Pra beber, coca cola de garrafinha de vidro. Duas, por favor.”


Sentei, marido sentou ao meu lado. Segundos depois o Gordinho veio com as cocas e disse que já trazia os copos.


Por sorte, o Rei projetou todo seu ambiente comercial aberto, de modo que podia visualizar praticamente tudo que acontecia atrás do balcão. E visualizei o que não queria, claro.
O gordinho pegou os copos, ficou de costas para nós. Abriu um isopor e começou a encher cada copo com gelo, muito gelo. Não pedimos gelo. Mas ele encheu os dois copos com gelo. Acharia uma ideia ótima, sério, um calor do cão! Mas ele encheu os dois copos com gelo COM AS MÃOS!


É, baby! COM AS MÃOS!


Veio todo saltitante nos entregar os copos. Eu não iria dizer da sua pegada no meu gelinho. Não tinha clima. Era uma criança. Como é que eu vou falar isso pra uma criança? Uma criança que nem minha é? E se o gordinho desata a chorar? Que faço? Choro? Choro!


Pedi desculpa e disse que estávamos um tanto gripados, com um comecinho de dor de garganta, iria rolar gelo pra gente não. O gordinho ficou triste! Gente, eu fiquei triste! Foi lá de volta ao balcão e tirou todo gelo dos copos. Nos entregou os mesmos copos. E daí que os dedinhos gordinhos do gordinho rebolaram com gosto na parte interna do meu copinho? Eu não ia dizer mais nada. Nada!


Ele ainda olhou tristonho e disse “É que todo mundo pede gelo. Tá calor e todo mundo pede gelo. Achei que vocês também iam querer”.


Pedi desculpa outra vez. Quase não me contenho perante a tristeza do gordinho, sou coração mole com criança, sempre fui, pra sempre serei. Oh God, por que eu? Why? Why? Why? Carma? Carma! Só pode.


Virei um golão da coca cola. O gordinho foi pra dentro da cozinha, esta também aberta, com janelas enormes que me permitiam vê-lo e também à mocinha que preparava as esfihas. Graças ao Ser Superior eu só não podia ver o que suas mãos tocavam sobre as bancadas.


Os minutos que antecederam a chegada do nosso pedido à mesa, foram de observação atenta e distrações fakes. Nem todas as tragédias do Rio, Sampa e Santa Catarina conseguiam me fazer tirar os olhos do gordinho, que de posse de uma caixinha daquelas de papelão, onde se colocam as esfihas “para a viagem” dançava abanando os braços.


Eu também não perdi o momento em que ele, todo esbaforido, encoxou a mocinha que assava meu pedido. E, também, não deixei de ver ele brincando e dançando com um capacete  destes de motociclistas, um capacete rosa bebê.


E mais cedo, bem mais cedo que tarde, ele nos trouxe as esfihinhas. As minhas esfihinhas queridas, de queijo. Mas não, não eram de queijo! Eram de RICOTA!


E não, ele não trouxe a minha esfiha de chocolate...


Comi o que pude, enquanto pude, bebi toda a minha coca cola na vã esperança de não ser tão lenda urbana assim a historinha de que “coca mata tudo”.


Na saída, o gordinho nos entrega a caixa com as esfihas “pra levar”. Maldita, maldita ignorância de pedir coisas extras sem nem menos fazer um primeiro teste.


Antes de sair o gordinho ainda grita – sim, grita!!! – “Espera, espera, espera!!!”. Olhamos assustados,  afinal, já tínhamos pago, estava tudo certo, mas em coro e preocupados soltamos um “O que foi?”. Ele nos olha sorrindo: “Tem certeza que é só isso mesmo?”.


Temos! Se temos! Temos por toda a vida... Mas logicamente, eu disse um “Sim, obrigada!”.


Quem me conhece sabe. Eu sou irônica, sou estressada, sou sarcástica, por vezes, sem querer, sou grossa. Mas não, com criança não... com criança não dá. Fico com todas as bactérias do mundo. Fico sem a esfiha de chocolate. Fico com a ricota. Mas com criança não dá!


Estou emocionalmente abalada, traumatizada só de pensar em esfihas e com uma caixa cheia delas em cima da mesa da cozinha...


A Kaká passou a tarde inteira, inteirinha com uma azia dos infernos!!!

2 comentários:

Daniela disse...

Sacanagem, agora fiquei morrendo de vontade de comer esfihas, vou ver com a Nana se ela não quer almoçar esfihas hj!! hehehehe (aqui vai ter que ser da Happen: onde não pode falta de prestígio e chocolate branco)!!!
Um ótimo 2010 para vc!!!
bjs

Hitomi disse...

gulosa!!!
deu vontade tbm mas não qs almoçar esfiha com a dani!
poxa! tinha acordado cedinho pra temperar o frango a passarinho q ia fritar no almoço e ela me inventando esfiha!
bjaum