4 de out. de 2009

Minha Brasília Amarela tá de portas abertas




Papai  tem mania de carro velho. De carro velho e de rifa (mas essa é outra história).

Logo, em todos os meus 25 anos de vida, nunca o vi cogitando a ideia de adquirir um automóvel cuja fabricação sequer se aproximasse 1 década do ano em que estamos.


Direção hidráulica? Vidro elétrico? Air bag? GPS? Quilometragem zerada? Tudo bobagem!


O que importa mesmo é que, segundo o  Aranha, seu mecânico de estimação, o motor esteja “como novo”, que segundo o seu João, seu funileiro embebido em formol, a lataria esteja “jóia” e que, segundo seus próprios conhecimentos de comerciante-instalador de varal da casa do Tarcísio Meira nos anos 70-inventor de chuveiro a gás na época do apagão-e médico/farmacêutico/bruxo o possante seja macio, tenha um tremendo porta malas, ande na estrada que é uma beleza e se pareça com uma banheira ambulante.


Dessa forma, eu sempre fui carregada pra lá e pra cá em Brasílias (amarelas, lógico), Belinas (em tons pastéis, óbvio) e Paratis (sua mais nova tentativa de parecer moderno). E tirando o fato de que a nossa finada Brasília amarela era ovacionada na porta da escola quando os Mamonas estouraram nasparadasdesucesso e eu tinha vontade de sair dela com uma caixa de papelão na cara, isso nunca me foi um problema.


Na verdade é algo que sempre me soou um tanto cômico, como a grande maioria de marras, manias, pragmatismos e neuroses que cabem tão bem num cara como meu pai. E que eu, marrenta, cheia de manias, pragmática até o osso e neurótica idem, a-d-o-r-o!


E se tem algo que eu invejo e me faz roer as unhas até sangrar é não ter memória própria da vez que o velho (que na época era meioquasenovo) pirou o cabeção com a crise da caderneta de poupança na década de 80, tirou todo o dinheiro de lá, e a parte que não escondeu no colchão investiu em? em? em? Em carros velhos...


Para os faniquitos de mamã o quintal da casa virou estacionamento de raridades não tão raras, para o deleite dos meus irmãos pré adolescentes, virou uma pista de bate bate particular e ambos passavam todo o tempo livre revezando-se em ocupar o banco do motorista, soltar o freio de mão e manobrar pelo pouco espaço disponível enquanto o outro empurrava a carruagem bola da vez.


Isso não durou muito, não sei se por papai ter achado óteeeemas oportunidades de negócio ou por mamãe ter feito alguma pequena grande pressão para ter seu quintal de volta. Mas é certo que foram dias felizes... Papai com sua coleção particular confortavelmente instalada no quintal e meus irmãos rindo a toa com toda aquela emoção apesar das várias dores nas costas (ok, não foi feliz pra mamã... mas eram 3 contra 1, o que dá maioria absoluta).


E eu? Eu, como sempre, fiquei totalmente de fora da brincadeira (coisa de filha caçula-temporona-não planejada-e sabe-se-lá se bem quista).


Kaká tem um tantão de traumas assim de filha caçula sabe?!

Um comentário:

éndér_48 disse...
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