2 de out. de 2009

Eu não tô véia!!!

"e velha ficou, velha ficou, velha ficou..." 
bléh

Eu sempre fui mega ultra blaster sedentária. Segredo nenhum esse, muito pelo contrário, mais sabido e notório que o dinheiro na cueca de "um político aí".
E eu nunca fiz nada de bom, mamis não me colocou no ballet, nem na ginástica olímpica, nem na natação (tenho medo d'água), nem no vôlei, nem na peteca, frescobol ou futebol de botão.


Não fica com dó porque eu não sou - tão - mal resolvida por causa disso.


Mas acontece que em 2000, quando eu estava no primeiro ano do colégio e a gente ficava o dia inteirinhoooo lá porque fazíamos o médio e o técnico (quico???), a mulherada inventou de inscrever nossa sala de computeiras no campeonato de futebol da escola. ÓGod...


Era uma lenda confirmada que nem a da loira do banheiro que as turmas de Processamento de Dados sempre foram as piores nos esportes que exigiam habilidades físicas, o nosso time masculino era tão, tão, tão ruim que dava vergonha alheia e própria assistir aos jogos. Porém, no entanto, todavia, nós, soberbas que somos, pensamos que a nerdaiada não poderia ficar de fora e, no mais, se o masculino já dava todo aquele vexame, pior do que aquilo as gurias não fariam.


Então fomos recrutar todas as 8 pessoas que usavam saia de uma turma de 40 negos. E sinceramente não lembro se todas toparam, porque tem coisa que abala tanto que a gente acaba desenvolvendo um bloqueio, por isso essa história me é meio nebulosa.


Sei que um dos nossos únicos jogos de futeba de salão foi contra o último ano de enfermagem e jesuismorreunacruz quando soubemos que jogaríamos contra elas foi um tal de metade do time ter piriri e outra metade tentar amputar o próprio pé. 


Explico: o time do último ano de enfermagem não só era o melhor e total campeão dos jogos como também tinha o Silvanão, vulgo Silvana... Gente, pense numa mulher grande... grande e forte... grande e forte e furiosa... grande e forte e furiosa e participante do regional de arremesso de peso. Se uma enfermeira dessa aparece no meu quarto na calada da noite pra tirar sangue eu desmaio de graça.


Fato é que as que sobreviveram à noticia do jogo tentaram ir pra campo com alguma dignidade (mesmo que a essa altura já não tivéssemos nenhuma) e, nesse jogo, não sei por que raios eu fui parar no gol. What???
Eu no gol é uma coisa séria, porque se minhas pernas curtas e tortas não faziam nada na linha, meus míseros 1,58m. e minha nítida falta de reflexo não fariam nada no gol.


Mas fui... e aí em XX minutos do primeiro tempo o Silvanão pega a boa lá do outro lado do campo, dribla uma computeira, dribla outra e mais outra e mais outra (mentira que todo mundo saía da frente dela de medo) e vem na minha direção. E chuta. E eu pego. E eu grito "aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii". E o povo que assistia grita "ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh" (essa última parte não sei se é verdade).


O trator, ops, Silvana deve ter feito de propósito porque não é nem um pouco possível que eu tenha me jogado de encontro aquela bola... e a bola veio de encontro a mim... bem de encontro a minha barriga pra ser mais exata.


A cena era bem essa: Kaká caída de joelhos abraçando a bola contra a barriga com uma cara de dor digna de ter parido sêxtuplos de partonormalcomparteirasemepidural. Kaká não respirava, primeiro porque não tinha ar pra soltar porque a bolada no estômago soltou tudo de modo coercitivo, e segundo porque não dava pra puxar o ar já que estava em choque.


Depois a dor no estômago passou e eu não tive que ir pra sala de cirurgia porque nenhum órgão interno meu foi estourado (apesar de que será que esse não foi o estopim para a minha vesícula ter descambado um ano depois? não sei também) só que a queda de joelhos foi tão, tão forte que o meu direito ficou meio que muito bobo e dói, dói, dói sempre que pode.


E dói de um jeito que eu nem ando, fico me arrastando pra lá e pra cá e quando preciso subir escadas em época de estragamento joelhistico é uma tristeza para eu que subo e um deleite para quem me vê subindo e segura a risada para não me constranger mais.
Só que não é só isso... quando acaba o estragamento do joelho direito, o esquerdo fica marrento por ter trabalhado em dobro por 3 ou 4 dias e resolve tirar folga também... então são uns 8 dias de Kaká Das Dores (prazer!).


Mas o mais triste de tudo isso é que ninguém lembra ou reconhece que só me encontro nessas condições porque ummmmmm dia, numa terra distannnnte, fui defender a honra da minha turma de nerds (e a gente lá tinha isso????) e me arrisquei numa missão kamikaze jogando futebol sem nem saber correr direito. Os Zé Povinhos, inclusive minhas melhores amigas que também estavam no time, tiram sarro dizendo que sou velha (um dia de tpm eu juroquemato).


E eu só vim contar isso porque hoje acordei com a mesma dor que sinto no joelho, só que no tornozelo, logo, penso que a dor está descendo, se espalhando e dentro em breve terei que usar no mínimo um andador... e por que? Por causa da vaca da Silvanão.


Óooodeoooooooo...

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