27 de set. de 2009

DiaDeLista

Faça uma lista de grandes amigos / Quem você mais via há dez anos atrás / Quantos você ainda vê todo dia / Quantos você já não encontra mais... / Faça uma lista dos sonhos que tinha / Quantos você desistiu de sonhar! / Quantos amores jurados pra sempre / Quantos você conseguiu preservar... / Onde você ainda se reconhece / Na foto passada ou no espelho de agora? / Hoje é do jeito que achou que seria / 


Quantos amigos você jogou fora? / Quantos mistérios que você sondava / Quantos você conseguiu entender? / Quantos segredos que você guardava /  Hoje são bobos ninguém quer saber? / Quantas mentiras você condenava? / Quantas você teve que cometer? / Quantos defeitos sanados com o tempo / Eram o melhor que havia em você? / Quantas canções que você não cantava / Hoje assobia pra sobreviver? / Quantas pessoas que você amava /  Hoje acredita que amam você?
(A Lista - Oswaldo Montenegro)




É certo que as vezes (ou sempre) muita coisa fica tilintando na minha cabeça: quem sou? onde estou? pra onde vou?. E aí me parece que mapear em palavras essas respostas é um meio quasequecemporcentoeficazemborasemgarantia para eu não me perder aqui dentro.


Sinto um prazer quase insano ao ver enumeradas características, preferências, hábitos e impressões, penso que talvez seja efeito de algum desvio psicológico, mas jogo o pensamento embaixo do tapete junto com a possibilidade de eu ser mesmo bipolar (juro que um dia eu vejo isso, juro!).


Kaká não tem vergonha na cara suficiente para deixar escondidas coisas que não deviam ser levadas a público sobre sua pessoa.


Tenho uma dificuldade muito grande em lidar com gente que pensa que "viver" é dispensável.


Acredito em almas desencarnadas vagantes, espíritos obcessores, assombrações, vultos ou seja lá o nome que você dê para isso - e morro de medo.


Sou uma péssima dona de casa, não gosto de qualquer tipo de atividade doméstica e não acredito nem um pouco que seja só "falta de inspiração".


Tenho uma vergonha quase mortal de pronunciar em voz alta que eu não sei o que quero ser quando crescer - principalmente pelo fato de eu já ter crescido.


Volta e meio me pego pensando na possibilidade de o tempo magicamente voltar e eu poder fazer coisas de formas diferentes - sim, eu faria pelo menos umas quinze coisas de outras formas.


Desconfio demais de gente que diz que não se arrepende de nada.


Sinto pânico e tenho faniquitos involuntários quando penso que estou incomodando alguém.


Não tenho a menor vergonha de dizer que acho a idéia de passar um dia inteirinho (melhor ainda se for dia útil) fazendo só coisas inúteis ou fazendo nada.


Se eu ficar um dia sem esmalte como todas as unhas das minhas mãos.


Acho muito, muito triste mesmo que algumas pessoas pensem que a intimidade propiciada por fortes e/ou antigos laços de amizade justificam comportamentos relapsos.


Odeiooooo minhas coxas.


Não me agrada a responsabilidade que minha família me joga de eu ser sempre designada para dizer certas coisas sempre sérias, "pesadas", ou que fulano já deveria saber. Sinto que a minha objetividade e boa comunicação são usadas de forma descarada para resolver questões das quais não sou a única responsável e, para ser sincera, quase sempre não tenho nada a ver com o peixe. Dá raivinha ter que vomitar verdades - mesmo quando seja ponto pacífico que são realmente verdadeiras - e depois arcar com a culpa sozinha porque todo mundo "tira o corpo fora".


Odeioooo que "tirem o corpo fora".


Tenho vergonha alheia até de coisas que vejo na televisão, ruborizo instantaneamente e mudo de canal.


Gente que se entrega me encanta.


Gente que usa do sarcasmo de forma inteligente e não como agressão gratuita idem.


Já rascunhei umas dez cartas para mandar para o Presidente e imaginei dezenas de formas - algumas mais, outras menos ortodóxas - de fazê-lo tomar ciência do conteúdo.


Sempre choro quando leio aquele e-mail batido intitulado "Meus Amigos" (tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos...) e atribuído - mesmo que possa não ser verdade - ao Pessoa.


Choro pelas coisas mais ridículas possíveis.


Minha preferência tosca por produções cinematográficas e literárias fúteis beira ao desespero.


Acredito em psicólogos, acupuntura, luz terapia, cura de quase tudo pelo consumo de laranja, mentalização e  bruxarias com ervas medicinais do meu papai.


Tenho pavor de ir ao cinema e acho pipoca sem graça.


Sou apaixonada por gente que gosta e tem sobre o que conversar.


Faço amizade na fila do banco e do mercado, na sala de espera do dentista e no ponto de ônibus quando não estou com TPM.


Acho sim o poder uma característica atraente.


Não sou o tipo de pessoa que faz trilha, entra em cavernas e salta de lugares altos com corda/tela de proteção/para quedas ou não.


Queimo sempre a língua com chimarrão, acho tererê sem sentido e espero o café ficar quase morno antes de beber.


Dei escândalo na rua por causa de uma mulher que sacodia e xingava a filhinha que não tinha mais que três anos.


Quando criança abri metade da testa num degrau, enfiei o pé esquerdo numa base de copo quebrado, enrosquei o tornozelo direito na roda da bicicleta em movimento, queimei a panturrilha no escapamento do carro do papis, rolei a escadaria inteirinha do ginásio da escola, mas nunca quebrei um osso nem tive catapora.



Já me perguntaram "a patroa está?" quando atendi a campainha de casa.


Meu pai é o melhor estereótipo de herói que eu posso ter na vida, mesmo que eu o ache insanamente intransigente e ele pense o mesmo de mim (nenhum de nós acredita que o outro tenha razão sobre isso).


Para terminar, nunca consegui escolher qual o poder de super herói eu queria ter.




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