Natal é época de estreitar laços, de ganhar abraços e sentir como se o ano todo as coisas tivessem esses significados.
Mas o tempo tem mudado paisagens, alterado climas e parece estar influindo diretamente sobre sentimentos.
Algumas pessoas consideradas importantes, não pela conta bancária ou posição social, mas pelo brilho nos olhos e a intensidade dos sorrisos têm aparecido menos, e a cada dia parecem ficar mais transparentes, mais distantes, como um fantasma de doces lembranças inalcansáveis... Essas pessoas talvez só não estejam translúcidas em meu coração - embora no delas já é difícil saber se ainda tenho algum espaço.
E no fim das contas, ainda que com um nó no estômago que faz com que meus olhos vagueiem mais que o normal, assumo que isso não me importa.
Porque depois de muito tempo e alguns tropeços a gente acaba aprendendo que sentimentos assim como sorrisos são riscos que valem a pena, e a espera que eles lhes sejam frequentemente retribuídos é pura bobagem.
Assim me basta levar algumas pessoas no espaço mais sagrado de minha alma, dia a dia, para que tudo ainda tenha graça, para que eu não esqueça quem são e o que fizeram por mim em cada instante da vida.
Talvez vocês que levo pela vida afora não leiam essas palavras, ou ainda leiam sem saber que falo de vocês, e isso também não importa, porque eu sei.
Não é apenas um desejo de Feliz Natal, é mais que isso, é uma prece de que todos tenham uma Vida Feliz, todos que mandaram recados longos ou rápidos durante o ano, todos que se esqueceram, todos que estiveram ao meu lado, todos que estiveram muito ocupados ou não sentiram vontade de aparecer, todos que acharam que já não tinham motivo para fazê-lo...
Todos vocês, de alguma forma continuam aqui, perto de mim, dentro de mim, enquanto eu viver.
Mas não custa lembrar, nunca custa lembrar, que a distância física é um fato, mas o distanciamento de almas é opcional.

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