2 de dez. de 2007

Chegadas ...




Este é o Sacola, o mais novo morador do nosso apartamento. Faz quase um mês que ele está aqui e as coisas têm mudado bastante desde então.

Meu corpo nunca teve tantos arranhões como agora, hoje passeando com ele pelo condomínio olhei meu braço e tive a certeza que qualquer um que não soubesse da sua existência me perguntaria se andei dormindo com uma cerca de arame farpado.

Ele me arranha, me morde e me estressa, mas não há como evitar sorrir bobamente quando percebo uma nova brincadeira dele, uma mania ou mesmo uma marra.

Ele não gosta que tomemos banho, tem simplesmente horror quando fechamos a porta do box e ficamos "presos" dentro daquele vidro fumê.

Aliás, ele simplesmente odeia aquele vidro fumê, não entende seu reflexo ali, não entende sequer nosso reflexo ali, fica desvairamente perdido quando vê nossa imagem no vidro mesmo que estejamos do lado de fora.

Agora eu tenho horários para tomar banho, sozinha com ele em casa depois das 22 horas jamais! A multa do condomínio está demasiadamente alta para arriscar que o Sacola abra o berreiro como se uma dor lascinante estivesse acabando com ele.

Agora eu e o Mar temos que conciliar nossas agendas, ele não fica ainda em casa sozinho, ele sequer fica em um cômodo da casa sozinho - a não ser que seja do seu interesse não ter ninguém por perto. E ainda que um dos dois esteja em casa a saída do outro é motivo para ele se acabar em choro e tristeza, nos olhando com uma cara que claramente diz "Você está me abandonando!".

O Sacola ama nossos sapatos, não importa o material ou modelo, penso que seu maior sonho de consumo seria se ver solto num estoque de Havaianas - a minha inclusive, companheira de guerra de longos anos, perdeu seu primeiro pedaço há alguns dias. E quando tiramos dele, as vezes aos berros, ele nos olha com aquela cara de desprezo e logo pensa numa forma de se vingar - um xixi fora do jornal é a opção frequentemente escolhida.

Mas ainda que minhas preocupações tenham se multiplicado imensamente, ainda que eu tenha que levantar do seu alcance tudo que eu não queirva ver despedaçado e molhado de baba e que meu maior passatempo tenha virado o ato de trocar jornais e desinfetar o chão, tudo compensa...

Compensa simplesmente porque o ato de notar seu crescimento, de vê-lo olhando pra gente sabendo que somos sua família, de acordar e dar de cara com ele nos olhando na cama como se perguntasse "Está na hora do meu xixi, podemos levantar?" e ver sua alegria quando um de nós volta pra casa é simplesmente fantástico... É fazer parte da vida de alguém de forma plena, é formar um elo de conhecimento e confiança, mas, acima de tudo, é saber o que chamam de sentimentos incondicionais... não importa quantos sapatos detonados, ou quantos cocôs fora do lugar nos surpreendam durante uma ida ao banheiro no escuro... nada nos faria mandá-lo embora.

Parece excesso, mas pra mim realmente isso é muito, muito motivo de orgulho por ver que estamos - de verdade - construindo uma família.


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