28 de mai. de 2023

Tenta...

 Me espera

Principais resultados

Eu ainda estou aquiPerdido em mil versões irreais de mim
Estou aqui por trás de todo o caosEm que a vida se fez
Tenta me reconhecer no temporalMe esperaTenta não se acostumar eu volto jáMe espera
Eu que tanto me perdiEm sãs desilusões ideais de mim
Não me esqueci de quem eu souE o quanto devo a você
Tenta me reconhecer no temporalMe esperaTenta não se acostumar eu volto jáMe espera
Mesmo quando eu descuido (me desloco)Me desmando (perco o foco)Perco o chão (e perco o ar)Me reconheço em teu olhar (que é o fio pra me guiar)De volta, de volta
Tenta me reconhecer no temporalMe esperaNo temporalMe espera
Tenta não se acostumarEu volto jáMe espera
Eu ainda estou aqui
Fonte: LyricFind
Compositores: Lucas Scholles Lima / Sandy Leah De Lima / Tiago Iorczeski

12 de fev. de 2023

Não sei mais há quantos dias

Hoje fomos até Limeira buscar a ração do Sacola. Como quisemos passar em um supermercado novo, precisamos cruzar a cidade para chegar até a Cobasi.

No final da Avenida da Saudade, onde se inicia a Rua Santa Cruz, duas mulheres no chão tentavam socorrer um senhor. Paramos para prestar socorro e entre ligar para os bombeiros, ligar para o SAMU e o socorro chegar foram quase 15 minutos. Uma demora que me fez preocupada e irritada, se o senhor estivesse em estado mais grave, o que seria? Foi essa frustração e a adrenalina da preocupação e ocupação em socorrer que me impediram de cair no choro ali, naquela esquina, quando aquele seu amigo, pai, que sempre frequentava o bar, desceu da direção da ambulância e, em meio ao seu trabalho tão difícil, se mostrou genuinamente tão feliz quando viu Marcelo e eu ali.

E antes de ir embora, ele olhou pra mim e disse "Que bom ver você! Você está bem?". Ah, pai, eu acho que até ali eu estava, mas essa breve pergunta, três meras palavras acompanhadas de um ponto de interrogação, pesaram sobre mim de um modo para o qual não estava preparada.

Eu me mudei de Limeira justamente para fugir desses embates com a realidade.  Encontrar pessoas que também sabem que você não está mais aqui e visitar ou passar por lugates onde você deveria estar são fatos que me pegam pelos pés e me jogam no chão. Acho que nunca vou estar preparada para lidar com isso.

E todo um vazio se refez. Toda uma saudade sem cura. Todo um espaço impossível de ser preenchido. Hoje eu queria qualquer uma das nossas interações, pai, por menor que fosse. Não precisava sequer ser um café com bolo naquela mesa de cadeiras marrons. Um olhar, um sorriso, uma reclamação, um comentário sobre a novela, literalmente qualquer coisa que fosse, hoje eu queria muito ter de você.

Te amo, pai. Estou com saudade (não sei mais há quantos dias).


1 de mai. de 2020

Sobre saudade


É vespera do seu aniversário, pai. O primeiro desde que o senhor fez sua passagem. Hoje retruquei em uma matéria do Estadão em rede social (é, eu sei, baita bobagem) e em um comentário revidando minha postagem um senhor me chamou de "petralha". Ri tanto, pai. Chorei de saudade e alegria pela lembrança de você... Voltei na publicação para agradecer o senhor por ter me proporcionado as memórias tão boas que vieram a partir do que ele me disse, mas ele apagou o comentário logo depois (a íntegra era "choooora petralha kkkkkk" - com mais ou menos letras "o" e "k").
O que escrevi para ele fica aí embaixo. Que saudade, pai. Te amo.

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Sr. Oswaldo, boa tarde! Tudo bem? Não tenho o costume de responder comentários de pessoas que não conheço, mas depois de ler o que o senhor escreveu, não me contive e senti que precisava vir lhe agradecer. Sei que provavelmente não foi essa sua intenção, mas quando me chamou de petralha me trouxe de volta memórias muito boas e peço desculpas se me estender demais na explicação. O fato é que não sou eleitora do Partido dos Trabalhadores, exceto pelas eleições presidenciais de 2002, quando aos 18 anos votei no Lula, não houve nenhuma outra ocasião para qualquer esfera do Executivo ou Legislativo que tenha direcionado meu voto ao PT (sim, em 2018, depois de uma crise de choro gigantesca na manhã do dia 28 de outubro, eu anulei meu voto - o que me causa muita vergonha pessoal, porque até então era uma coisa que nunca pensei que faria, mas enfim, é uma omissão pela qual me responsabilizo e com que tenho que lidar). Ainda, tanto fui, como continuo sendo, crítica de muitas ações praticadas nos governos anteriores ao de Jair Bolsonaro. No entanto, hoje o senhor me chamou de petralha e foi a segunda pessoa em toda minha vida que me adjetivou dessa forma, a primeira e, até então única, tinha sido meu pai. É bem verdade que na fala dele a parte do "chora" nunca tinha sido incluída, mas as risadas depois do "petralha" eram constantes. Era uma forma carinhosa de ele brincar comigo, já que embora tenhamos partilhado uma parcela razoável de opções eleitorais ao longo dos anos, sobretudo em âmbito municipal, minha visão política, em relação a dele, sempre foi mais enviesada à esquerda. Frequentemente eu lhe chamava a atenção quando ele reproduzia colérico algum discurso pouco fundamentado a respeito de algo que tivesse ouvido de um cliente ou amigo, outras vezes ele me olhava exasperado quando eu falava sobre algo que lhe soava como sendo discurso da esquerda. Era algo que nos fazia felizes. Seria muita pretensão minha afirmar como ele estaria reagindo perante a tudo o que tem ocorrido no mundo e no nosso país se ainda estivesse aqui, só posso fazer minhas reflexões pessoais tomando por base as últimas conversas que tivemos sobre o andamento da política nacional até dois meses e meio antes de falecer, quando ainda podia acompanhar o que estava ocorrendo no BR e no mundo. Ele andava bravo e desapontado com a postura do presidente, em quem votou no segundo turno em 2018. Pode ser que estivesse agora o criticando ou defendendo, não tenho como saber. Mas o que tenho certeza é que, mesmo se ele concordasse comigo em algo, certamente continuaria me chamando de petralha e soltando o riso. Ontem se completaram 5 meses do seu falecimento e amanhã seria o seu aniversário de 72 anos, então hoje é um dia particularmente complicado, mas esse seu comentário fez toda a diferença. Confesso que caíram ciscos gigantes aqui nos meus olhos, mas foram de alegria. Reforço que sei que não era sua intenção, mas de qualquer forma, de todo coração, muito obrigada! ☺

27 de nov. de 2019

73°

Esses metros quadrados em frente a porta da UTI são hoje o maior paradoxo pra mim. Passo mais tempo em pé aqui do que efetivamente na sua companhia. Evito a todo custo entrar nessa salinha de espera, pai. Espaço claustrofóbico de ansiedade não moderada.
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Nesse dia eu aguardava a saída da sua segunda cirurgia, feita para sanar intercorrências derivadas da primeira. Você passou por mim na ida para o centro cirurgico, "Vai com Deus, pai. Amo você.". Depois disso, horas em pé, minutos sentada, até que você voltou e continuei esperando, que falassem comigo, que pudesse lhe ver. O médico me disse tudo o que aconteceu e meu coração encolheu mais, terminou sua fala dizendo que "tudo deu certo" - como pode algo estar certo?

20 de nov. de 2019

66°

Hoje uma das suas irmãs cantou para você. Eu ali, cuidando do equilíbrio dela, enquanto tentava lhe olhar, enquanto tentava olhar os parâmetros dos seus monitores.
Eu lhe disse hoje o que digo todos os dias: que logo mais a Alê chegaria, que amanhã eu voltaria, "Até loguinho, pai. Amo você!".
Eu não sei mais se você me escuta. Eu tenho medo que não escute, eu tenho mais medo que esteja ouvindo e não consiga responder. Cada vez que vejo seus olhos se apertarem eu sinto um fisgar no estômago. O que é que você está sentindo, pai?
Domingo passado foi o primeiro dia que não aguentei, só escovei os dentes as 14h50, porque precisava estar pronta em quarenta minutos para visitar você, que está a menos de um quilômetro de mim, mas que só posso olhar com hora marcada, por quinze minutos.
Eu lhe vejo todos os dias, mas não vejo você, você não me vê. Estou com saudade, pai.

11 de nov. de 2019

57°

São 57 dias de UTI e hoje meu pai voltou para o suporte respiratório do ventilador mecânico, que já havia sido o companheiro de tantos dias.
Todos os dias enquanto fico em pé ao lado da sua cama, as inspirações e expirações marcam o compasso do meu próprio respirar. Nas vezes em que desafinam, o ar se prende em meus pulmões, quando percebo, ele sai todo, e me falta. 
As conspirações que fazia comigo mesma, articulando estratégias para tirar-lhe um sorriso mudo foram substituídas pelo anseio de ver seus olhos abertos. Procuro por eles o tempo todo, por todos aqueles quinze minutos que tenho diariamente em sua companhia. 
Disse que o amava esses 57 dias talvez mais que por todos os nossos 35 anos juntos nessa vida. E ele me respondeu várias vezes: balbucios por entre um tubo, e depois da traqueostomia, ainda vários "te amo" sem som. Eu morro de saudade de ouvir sua voz, de ver seus olhos, do seu balançar de ombros indiferente e teimoso, eu vejo você todos-os-dias-por-quinze-minutos. Quanta saudade eu sinto de você.

28 de fev. de 2011

Mimizando

Pela importância de em tempos em tempos se falar em casamento...

E aqui, antes mesmo de começar, faz-se uma primeira (e talvez única) pausa para explicar que:

não se trata da figura formal, da união de duas pessoas – homem e mulher, frente ao Estado, frente à Igreja, mas do meu casamento que, legal ou religiosamente, em verdade casamento não é. Sendo essencial ressaltar que, alheia as recomendações religiosas e também não próxima dos traços legais delineados nos artigos do Código Civil, que designa o que tenho em vida como sendo uma união estável e não um casamento, impedindo – juridicamente – que denomine àquele com quem convivo de cônjuge, propondo-me que o chame companheiro, algo que aos meus ouvidos e olhos soa sempre tão político, tão vermelho, falarei do que é meu, do que pode ser seu, mas que em momento algum será de todos ou para todos.

Fim da primeira (e talvez única) pausa.

... é o motivo que me faz escrever hoje.

Depois de algum tempo, quando o rosa não exalta os olhos da menina apenas por ser rosa ou o carrinho novo não faz brotar entusiasmo no menino por não ser mais novo, é que a gente passa a compreender a verdadeira validade de algumas coisas.

É só o tempo – soberbo e soberano como sempre é – que tem o poder de definir o que é para hoje e o que é para sempre, ainda que o sempre possa não ser assim para sempre.

E se a validade de algo num primeiro momento está na companhia e no transbordar de sentimentos que pouco se entendem, em todos os momentos futuros estará totalmente nesta mesma companhia e no transbordar já calmo e nada ameaçador ou confuso de sentimentos que embora não entendidos, são estimados, são vitais.

Numa tarde de domingo, quando o meu cônjuge, ou meu companheiro, como queira, dirige-se sozinho ao supermercado simplesmente por compreender e respeitar minha limitação pessoal de adentrar a esta espécie de estabelecimento sem ter minha calma e sanidade mental afetadas e propõe-se a comprar tudo o que os seres que habitam esta casa necessitam para continuarem vivendo sadios e felizes e aqui frize-se que comprará TUDO e o fará SOZINHO, tem o trabalho de perguntar-me uma última vez do que precisamos e responder ele mesmo enumerando nos dedos: ração dos cachorros, sabonetes, pasta de dente, condicionador de cabelos pra você e o seu absorvente daquela marca, do tipo que  se adapta atrás para não marcar sua calcinha evitando que fiques insegura e – muito importante – que tenha abas.

É neste momento que meus olhos saltam e meu coração de menina sorri e transborda e dá gritinhos infantis entregando que dentro desta carcaça posso ainda ter treze anos, e sinto-me apaixonada e entregue e ouço mentalmente Can’t take my eyes off you, que acredito piedosa e ceticamente que meu casamento é um casamento e tudo o que vem com a coisa toda é válido, para sempre, seja quanto tempo a parte do sempre queira ser.

12 de fev. de 2011

E nem precisava ser vidente...

Um dia, em uma terra distante, uma mocinha chamada Karina vivia feliz, até o dia em que fez uma assinatura do Speedy e sua vida virou um inferno.

Mentira, a história está toda errada. 

Um dia, em uma terra distante, uma mocinha chamada Karina vivia meia boca, vez que não tinha internet decente desde que mudou para a nova casinha e ela teve que se contentar com o serviços toscos de uma internet a rádio, até o dia em que seu marido - aquele que deveria ser seu maior companheiro e lhe proteger de todos os males do mundo - fez uma assinatura do Speedy e sua vida virou um inferno.

Agora sim, esta é a verdade.

Mas é. Eu disse, e nestas horas nada me alegra mais que poder afirmar (várias, várias, várias vezes mesmo): eu disse! Eu bem falei que a Telefônica era uma merda. Que fornece um serviço duvidoso e tem um atendimento lixo. Mas quiseram me ouvir? Quiseram? (Hein, Marcelão?!).

O fato é que há 21 dias eu tenho um modem que acende apenas as luzinhas da rede, mas a do DLS e do Online, não. Eu tenho uma linha telefônica que não faz chamadas, mas as recebe algumas vezes e, em algumas destas vezes é um recadinho simpático da Telefônica me cobrando por um serviço do qual eu sequer recebi um boleto de pagamento e - acreditem - não funciona no meu lar doce home. Eu tenho quatro números de protocolo de solicitações de suporte técnico e um processo aberto na ouvidoria da empresa.

Legal. Muito mesmo. Mas eu disse. Eu bem falei. E é só a satisfação de poder dizer isso que me faz sentir algo próximo de borboletinhas de chumbo no estômago.

11 de jan. de 2011

Pílulas de alegria

E aí que eu fico louca quando ouço esses nhenhenhens de Janeiro ser o mês dos recomeços. Mês de fazer regiminho, fazer promessinha, começar tudo pulando ondinhas e todo o resto de coisas que gente que curte incorporar a Pollyanna fala por aí.


Pois pra mim, negada, Janeiro é recomeço sim, mas só se for de dor de cabeça. É mês de trabalhar 13 horas/dia, de voltar pra casa chamando Jesus de Genésio e tomar um cuidado do cão pra não sair de manhã calçando um sapato de cada par.


Pai, afasta de mim este mês cálice.

Reflexão na fila do restaurante

Como é que uma pessoa de aproximados 50 Kg. (que obviamente não sou eu) pode ingerir aproximados 500 gr. de arroz duma vez só?


Então, né? Claro que nunca vou saber! Nunca!